quarta-feira, 22 de julho de 2009

NWOBHM

Pode até parecer um trava língua, uma sopa de letrinhas, o nome de uma cidade da Hungria ou da mais nova revelação do futebol nigeriano, mas trata-se de uma sigla. A da famosa New Wave of British Heavy Metal.



É deveras curioso o fato de uma safra tão interessante de bandas surgir e desaparecer assim repentinamente, na mesma região e num período de tempo tão curto. E essas bandas ainda por cima ganharam um epíteto coletivo quase digno de uma igreja neopentecostal, com a qual possivelmente teriam em comum apenas a capacidade de produzir barulho.



Você certamente conhece o Iron Maiden e deve pelo menos ter ouvido uma ou duas músicas do Saxon. Pode ter ouvido falar do Diamond Head e do Def Leppard. Pode não conhecer o Tokyo Blade, o Grim Reaper ou o Samson, mas agora sabe que todas elas têm uma coisa em comum: elas são as primeiras bandas - depois do Judas, obviamente - que poderíamos classificar de Heavy Metal como gênero. Mesmo elas sendo chamadas de "New Wave". Por essa perspectiva, poderíamos chamá-las de "First Wave", talvez.

Eu por sinal tenho uma teoria a respeito da gênese do gênero. [Bela aliteração, hein?!]

O Metal surgiu na Inglaterra, terra da Revolução Industrial, do futebol e da Elizabeth Hurley.



Seus criadores - ou seriam seus forjadores? - eram jovens metalúrgicos de baixíssima renda, com pouca ou nenhuma perspectiva. Out of work and down. Ao contrário do punk - gênero musical alinhado com o Anarquismo e, assim como este, praticado por garotinhos juvenis criados a leite com pera e ovomaltino e financiados por papais roliços com rosetas -, o Metal não deixa de ter em sua origem certos traços do comunismo inglês. É um gênero de contestação, fruto da sociedade industrializada, mas é também institucional, tem sua dose de proselitismo ideológico e demanda uma certa devoção partidária. É uma espécie de stalinismo musical. [O stalinismo visto da esquerda, pelamordeDeus.]



Seria o Koba um headbanger avant la lettre?

4 comentários:

Anônimo disse...

Você esqueceu de dizer que a Inglaterra também é a terra da querida Jane Austen...

cae disse...

por algum motivo qualquer eu continuo lendo seu blog.... mesmo com os indevidos lapsos temporais.
continua massa...

caetano

evangelina disse...

Eu leio seu brog....

Mariana Kamiya disse...

Sim, você não esqueceu de nada, nem do grande e incomparável pastor Valdomiro Santiago, herdeiro da tradição Macedo-Soares-Malafaia!!! Você só esqueceu de citar que a Inglaterra também é a terra do chá com leite!