
É deveras curioso o fato de uma safra tão interessante de bandas surgir e desaparecer assim repentinamente, na mesma região e num período de tempo tão curto. E essas bandas ainda por cima ganharam um epíteto coletivo quase digno de uma igreja neopentecostal, com a qual possivelmente teriam em comum apenas a capacidade de produzir barulho.

Você certamente conhece o Iron Maiden e deve pelo menos ter ouvido uma ou duas músicas do Saxon. Pode ter ouvido falar do Diamond Head e do Def Leppard. Pode não conhecer o Tokyo Blade, o Grim Reaper ou o Samson, mas agora sabe que todas elas têm uma coisa em comum: elas são as primeiras bandas - depois do Judas, obviamente - que poderíamos classificar de Heavy Metal como gênero. Mesmo elas sendo chamadas de "New Wave". Por essa perspectiva, poderíamos chamá-las de "First Wave", talvez.
Eu por sinal tenho uma teoria a respeito da gênese do gênero. [Bela aliteração, hein?!]
O Metal surgiu na Inglaterra, terra da Revolução Industrial, do futebol e da Elizabeth Hurley.

Seus criadores - ou seriam seus forjadores? - eram jovens metalúrgicos de baixíssima renda, com pouca ou nenhuma perspectiva. Out of work and down. Ao contrário do punk - gênero musical alinhado com o Anarquismo e, assim como este, praticado por garotinhos juvenis criados a leite com pera e ovomaltino e financiados por papais roliços com rosetas -, o Metal não deixa de ter em sua origem certos traços do comunismo inglês. É um gênero de contestação, fruto da sociedade industrializada, mas é também institucional, tem sua dose de proselitismo ideológico e demanda uma certa devoção partidária. É uma espécie de stalinismo musical. [O stalinismo visto da esquerda, pelamordeDeus.]

Seria o Koba um headbanger avant la lettre?




















